A vontade que bate sempre naquelas horas em que o sol alcança determinado ângulo que lembra teu sorriso, essa vontade de ver teus olhos fechando-se ao formar aquele sorriso que é único pra cada um, o abraço de lado, com tua cabeça no meu ombro e assim o peso do mundo se esvai. E assim eu tenho paz. Só assim eu tenho paz.
A estrela cadente corta o céu, nossos dedos, olhos e corações voltados a ela e meu único desejo é sempre que aquele momento se repetisse tantas vezes quanto fosse possível. Podia ser impressão ou não, mas ali, naquelas madrugadas frias, nossos corações tinham um som só. E o só não existia entre a gente.
Agora eu fico aqui, debaixo dessa árvore sozinha. Lembrando do teu sorriso, dos teus olhos que agora devem estar marejados, tão cheios de lágrimas quanto os meus, e seu nariz deve estar com a ponta vermelha e então um sorriso tímido vai aparecer. E vem um vento, bem calmo, levanta a poeira e o sol lança aquela luz única, meio alaranjada, meio amarelada, meio avermelhada, meio Natascya.
É uma luz, que esquenta, que envolve e que me tem feito falta.
Vem.
.e
.dar
AMOR.
09 abril 2012
19 março 2012
Faltam meus amigos

Faltam meus amigos
as mãos dadas, as delicadas
o riso contido, as gargalhadas
as meias palavras
e os ditados francos
Faltam meus amigos
os passos longos e os curtos
os rostos suaves e os hirsutos
os grandes abraços
daqueles que afastam quebranto.
Faltam meus amigos
explêndidos, loucos, normais
os impacientes e os que escutam meus ais
Aqueles que tem por mim tamanho apreço.
Apreço de causar espanto
carinho que parece sem fim.
Por Alan Silva
06 fevereiro 2012
Boa parte de mim vai pra Espanha
O dia estava nascendo. Dava pra ver no horizonte. A vista era linda. Prédios antigos, as pessoas charmosamente vestidas à moda que o inverno ditava. Aquele clima estava pedindo uma visita a Ponte de Alcântara, mas o dinheiro para o aluguel da lambreta teria que esperar. O sol saía pra esquentar um pouquinho. Eu ria ao tentar lembrar do sol do meu país. Das luzes quentes, nas madrugadas quentes. E uma lágrima de saudade escorria e eu corria e escrevia sobre estar ali, sobre querer um afago familiar, uma cervejinha no domingo à tarde, o som do carro bem alto e o vento levando e lavando minha alma.
Mas uma caminhada a Guadalupe eu não evitaria. Lugar lindo e cheio de histórias. Eu torcia pra lembrar de todas elas e contar na roda de amigos. Roda, quadrado, triângulos e tantos círculos. Dá até tontura lembrar. Dá cansaço só de lembrar das ladeiras que tenho andado. Mas a paisagem faz esquecer rapidinho. Só não esqueço daquele monte de ninhos de gaivotas. Nunca tinha visto tantas juntas.
Um estalo, um canto do galo, o sol na janela.
As paredes verdes, a velha estante de livros, o criado-mudo que mesmo pintei, as revistas espalhadas no chão, o skate do meu irmão, os recortes e pôsteres nas parede, os adesivos na janela, o baú cheio de lençóis, o rádio da vovó tocando ao longe, o ventilador rangendo, os primeiros espirros matinais, algumas pecinhas de Lego jogadas pelo chão, roupas penduradas atrás da porta, sapatos jogados em qualquer canto, algum brinquedo do meu irmão caçula, aquele trequinho de proteção que nunca sei o nome pendurado na janela e o vento balançando-o.
Depois de um tempo, você passa a perceber que dá pra estar em dois lugares ao mesmo tempo. O único problema é que se uma parte de mim está na Espanha, eu deveria me sentir mais leve e não o contrário. Mas talvez, por ser o contrário, por sentir esse peso, signifique o real laço que existe entre a gente. E não é nem pra ter um talvez nessa história. É isso sim. Acabei de sentir o fio amarrado no meu tornozelo e faltando alguns pedaços do meu peito.
E isso faz todo sentindo quando te abraço.
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Hey, Nathy, ~ ainda ~ não é seu aniversário. Mas cá está, umas palavras pra você, que fez de 2011 um ano cheio de sol e cerveja pra mim. E 2012 também, claro.
É bem assim que quero me sentir enquanto tu se encontras nas terras hispânicas.
Amo você, Oskar.
25 janeiro 2012
Our house in paradise

De vez em quando tenho um desses dias em que algo muito bom fica programado. Cê sabe como é?
Desses dias em que você espera espera espera imagina espera espera até que
Chega.
Vinte e nove de Dezembro de dois mil e onze.
Só sabia que ia ter um mar molhando os pés e um céu azul clareando a cabeça.
E teve
amor
sorriso
abraço
E porque diabos essas palavras estão no singular?
Tiveram
amores
sorrisos
abraços
e em uma quantidade suficiente pra que ninguém quisesse mais voltar.
O apartamento vinte e nove acabou se tornando um palco.
As apresentações geralmente começavam as onze porque era a hora em que todos estavam sincronizados. Mesa feita. Todos em volta, sem que combinassem nada, sem que fosse hábito fazer isso em casa.
Se preocuparam tanto com a natureza dos mineirais quanto com o rock e pedais.
E perderam as estribeiras no primeiro mergulho naquele mar azul verde azul.
E perderam os celulares.
E esqueceram as havaianas.
E deixaram metade da cabeça lá.
Vamos cozinhar a multa pelos sorrisos até as três da manhã em banho maria, que tal? Mas, aproveite que já tá de pé e coloque a água do cuscuz pra esquentar, tá bem? Já tá na hora de ir a praia.
Não consigo te dizer o que mais marcou não, desculpa.
Foram ladeiras demais, supermercados demais, ônibus demais, e sol e música, e rolés e
v i d a.
Te prometi descrever o que eu vivi. Não consigo. Agora eu te digo o seguinte: só sente quem viveu.
Só sei que teve um céu molhando os pés e um mar zul clareando a cabeça.
E que tenho outro lar.
Apartamento vinte e nove, um dia eu volto, boy.
17 janeiro 2012
Cabeça de Vento

"E a cabeça foi passear.
Foi para um canto remoto de algum bosque pensar sobre as asas dos passarinhos.
Foi fazer diálogos imaginários.
- Como o dia está lindo.
- Concordo, meu bem.
Foi correr com algum animal na beira do rio.
Encontrou o pólen dentro de alguma flor. Sugou tudo e saio voando novamente.
Pensou em você, seja você quem for.
Imaginou futuros possíveis - e impossíveis.
Pensou em voar, pensou em chorar, pensou em evoluir.
Viu aplausos e vaias. Se atentou ao olhar, um pouco apaixonado, um pouco amargo.
Foi para um canto remoto no qual o medo mora. E lá era escuro.
Correu novamente, porque é só isso que se pode fazer. Correr dentro de si mesma.
E num estalo, a realidade."
02 janeiro 2012
Acabou Chorare
"Acabou chorare no meio do mundo.Respirei eu fundo, foi-se tudo pra escanteio.
Vi o sapo na lagoa, entre nessa que é boa."
O sol brigava com as folhas e as nuvens para chegar até nós. E ao conseguir, encontrava ainda as garrafas de suco e cerveja que amarramos nos galhos durante a noite toda, acompanhando o ritmo que íamos esvaziando-as. Era um espetáculo lindo de luzes, cores e sons sobre nós.
A cidade estava dormindo ainda. Dava pra ouvir o som do mar se arrebentando nas rochas, e a vontade de dormir sob a sombra, luzes e cores da nossa árvore era tão grande que quando ganhei cafuné da Cris fechei os olhos e apenas me permiti sentir o calor das luzes.
Sempre que eu me permitia sentir as luzes e o calor que delas emanava, lembrava do Oskar, que já tirava seu cochilo sobre a sombra da árvore há alguns minutos. A ideia de amarrar garrafas vazias nos galhos da árvore fora dele. Mas nenhum de nós tinha noção do quão lindo ficaria.
A Cris parara de fazer cafuné. Sinal de que estava tirando seu cochilo também. Abri novamente os olhos. O vento balançava os galhos fazendo as garrafas se tocarem e assim produziam sons quase mágicos. E talvez até fossem. Respirei fundo, e mais fundo outra vez. Às vezes eu tinha medo de espocar de tanta felicidade, como o Oskar costuma dizer.
Um ano havia passado desde que conheci e passei a conviver com todas aquelas pessoas deitadas sobre a sombra, luzes, cores e sons da nossa árvore. Às vezes nem parecia um ano. Às vezes pareciam vidas. E a ausência deles pareciam séculos.
Minha amizade com aquelas pessoas era algo impressionante. Era uma doação de amor sem medidas, sem interesses; era algo que eu nunca tinha provado na vida. Era algo que sempre me dava a impressão de estar em falta com eles. E eu realmente espero estar sempre em falta, porque essa falta só eles são capazes de preencher.
21 dezembro 2011
Te extraño, cariño

Eu abri minha vida pra ti. Abraço-te forte, porque só assim o dia começa bem. Eu desenhei teus olhos. Barcelona te aguarda.Eu puxei teu cabelo bem de leve. Cabeça de Nêgo. Eu seguro tua mão o mais forte que posso. Dou-te mais uma vez esse amor. Eu cantei bem alto no carro. Eu te amo. Eu viajei de Fusquinha. Farofa no sanduíche é dos deuses. Eu esqueço os outros. Grama verdinha, escuta o vento. Eu vou espocar de felicidade. Hoje foi muito bom te ter por perto. Eu cortei o dedo com papel. Isa está ou não está? Eu vi o sol se pôr, deu pra sentir o calor da luz laranja. Jamais esqueça que te amo mais que o tamanho de todos os universos e tudo o mais. Eu chorei com tuas cartas. Leve-me "apenas para andar por aí". Eu trouxe cerveja. Mesmo do mais. Eu fiz desejo para a estrela cadente. Nisso tudo eu só sei que sou feliz contigo. Eutocosono. O sol deixa teus olhos lindos, lindos. Eu te escrevi um poema. Pequenina, dá cá teu sorriso mais uma vez. Eu descobri tua casa. Quero dar-te aquelas coleções de filmes de 70. Eu dividi um café. Rir contigo é o que de mais fácil existe. Eu devia terminar de escrever ao menos um livro. Saudade desceu do carro junto comigo. Eu tenho medo de altura ou medo de cair. Te extraño, cariño. Eu vou pescar. Universo < que meu (L) por ti. Eu viajei muito. Vai dar tudo certo. Eu perdi o fio da meada. X-bacon grátis. Eu realmente vou espocar de felicidade. Zumbis matinais bebericando café. Embrace my heart and stay.
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