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21 janeiro 2015

da maior importância


Não é tarde e nem cedo para dizer que estou com saudades de vocês. Não é tarde e nem cedo pra ver que por mais longe que estejamos, de algum modo esse laço, nó, cola, grude sei lá o que seja isso... Continua firme e forte.
Os anos vão passando e a gente segue nossa vida, nossos sonhos e aqueles planos rabiscados na bagunça que é nossa mente. Cada uma de nós abraça o mundo de um jeito. Seja com pernas longas, curtas ou passos de formiga.
E a gente vai levando. Seja na praia, no rio ou montanha. Gal toca ao fundo, o sol tá escondido nas nuvens, há poucas chances de ver o pôr-do-sol hoje. Mas a gente sabe que estará lá. É essa a essência. E a gente não precisa explicar qual é a importância nisso para ninguém. 
Nem pra nós mesmas.
E cada uma de vocês tem um jeito peculiar de dizer que é pra eu continuar andando. Correndo. Voando. Nunca parar. Nunca secar. Nunca ficar. Livros, filmes, músicas, fotos. Tem todo um amontoado de coisas e referências que a gente vai acumulando no querer e sem querer. Com compromisso e de bobeira na praia.
Os anos estão passando e a gente ta aí, nessa de coração vagabundo e aos poucos a gente vai guardando o mundo em nós.

"Suplicávamos o infinito. Só nos deram o mundo."
 — Cecília Meireles

05 maio 2014

Terra do Dragão


[Já escutei e li muito “go west”]

Mas se você for analisar melhor, ir para o oeste não é o melhor a ser feito.

[exceto se ele te levar pro lado oriental do mundo]

 O Oeste, ou melhor, o Ocidente. O Ocidente pode ter sido chamado algumas vezes de Paraíso ou terra da felicidade. Terra nova, cheia de oportunidades, pessoas corajosas etc etc etc.  

[eu não me encaixo aqui nesse lado do mundo. quem sabe do lado de lá?]

O Ocidente não é a terra da felicidade. As religiões do ocidente não pregam a felicidade. Somente o sofrimento. E eu só quero a felicidade. Eu quero Butão!

[felicidade pode ser muita coisa. hilário é escolher Butão]

Faz alguns meses que pratico Yoga, bom, não com a frequência que me agradaria ou que traria melhores resultados no meu corpo e mente. Mas os poucos dias que consigo ir são maravilhosos. E de onde vem? Isso mesmo, do Oriente.

[pra quê tanta divisão?]

Mas o problema não é com o Oriente, é comigo mesma. Sempre preguiçosa e acomodada. Quando surge algo que exija um pouco mais de esforço eu já estou mudando a rota. Ultimamente isso tem mudado. Tenho uma heroína na China. Ela é louca. Quero alcançar a loucura dela.

[go west]

Mas, infelizmente, não posso negar minha paixão pelo Ocidente.

[é o que você conhece]


 O Oriente entra como aquele ponto desconhecido que não gosto de ter. Aos poucos vai se achegando e se encaixando nas minhas rotas e pesquisas. Bem aos poucos. Ser onde o sol nasce deve significar muita coisa, apesar de eu ter preferência ao pôr-do-sol.

26 dezembro 2012

Admirável Mundo Novo

Eu respirava tão fundo e bem lentamente. Desejava que meu pulmão sentisse aquele novo mundo que estava conhecendo. Tocava tudo com todo o cuidado, sentindo cada partícula, imaginando como teria sido todo o processo de criação. As folhas tinham um tom diferente. A vida pulsava delas. De todas elas que estavam no pequeno bosque. Podia ouvi-las também. A Terra é a nossa mãe. O vento é a nossa vida.
Não sentia apenas o calor humano, eu os via sair através de sua pele, via pra onde iam, via suas cores, sentia seus cheiros. Alguns lembravam infância e era ali que eu mais gostava de ficar. Cheiro de tangerina, de terra molhada, de leite com bolacha, de chá de hortelã. As cores eram lindas, lindas. Os cheiros muito agradáveis. O mundo estava ali pra mim, como sempre estivera. Mas o terceiro olho só fora aberto no meu aniversário. Um presente. Um dos melhores presentes.
Entender como cada peça realmente tinha o seu lugar, que tudo era apenas questão de tempo. Ver que o essencial é respirar, fechar os olhos, sentir o calor e deixar que ele guie. Nesse dia tive as melhores surpresas, as melhores sensações, os melhores abraços. Amei o mundo. Toda a tristeza fora expurgada ao abrir o terceiro olho. Poderia voar se quisesse. Eu poderia estar voando e nem perceberia. Estava leve, sem preocupações, sem pensamentos. Eu apenas sentia. Apenas amava.
Sendo algo totalmente desprovido de físico. Não era meu corpo que amava e sim meu espírito. Deixei que pelo menos naquele dia ele me guiasse. Respirar era a única coisa que eu tentava lembrar de fazer. Respirar era algo muito bom. Sentir o ar entrando, preenchendo tudo, clareando pensamentos.
A mesma sensação por mais de oito horas seguidas. O efeito nas luzes, a energia das pessoas, das flores, arbustos, trepadeiras-elefante, os sons. Tudo era novo. Por muitas vezes cheguei a pensar que aquele corpo não era meu. Que meu espírito poderia muito bem viver livre.
Nos dias seguintes tive de voltar aos poucos para meu corpo e até ele estava mais leve, mais puro. Ao abrir o terceiro olho ele havia sido purificado. Era tão cansativo voltar. Era cansativo aquela rotina. Mas sentir a vida pulsar não existia nada que pudesse comparar.
Essa paz que me preenche e protege. Esse tipo de paz você só tem quando se entrega. E essa paz emana de mim para quem esteja por perto.
Por todo esse ano eu buscava ânimo, quando só precisava dessa paz. Depois disso o caminho parece mais fácil, os amigos passam mais tempo presentes. Nossos caminhos permanecem lado a lado, encruzilhados, enrolados, embolados e pouco me importo com isso.
Eu só respiro, mas não respiro só.



Informações adicionais: o título desse post refere-se ao livro homônimo de Aldous Huxley, clique aqui para mais informações. Leia e assista ao filme. Merci

07 outubro 2012

[crônica] Azia

O despertador do vizinho era tão bom que eu podia ouvi-lo mesmo havendo uma distância de mais ou menos 8 metros e 3 paredes no meio. Ele tocava exatamente às 5:05 da ma-nhã. Nun-ca descobri o que meu vizinho fazia a essa hora, estava ocupado de-ma-is imaginando di-ver-sos modos de invadir a casa dele e dar um sumiço no maldito despertador.
Na-da mais restava além de levantar e fazer meu café.
For-te, a-mar-go.
Pouca gente gostava do meu café. Pouca gente gostava de mim. Procurava não me importar. Mas no fundo é cla-ro que me importava. E estou aqui, escrevendo e imaginando que minha voz seja igual a do Wagner Moura. Sabe quando ele narra os pensamentos em algum filme e faz a-que-las pausas na leitura? Pois é, estou escrevendo e len-do assim. A voz do Wagner Moura e a aparência dele. Por que não? Então me faz o favor de ler com a voz do Wagner Moura na sua cabeça. Talvez melhore a qualidade dessa crônica.
Pensei aqui em infinitas profissões que poderiam fazer você ter pe-na de mim, mas não consegui escolher uma. Então digamos que eu passe a manhã numa mesa, vários papéis em cima e um chefe barrigudo que solta piadas escrotas e paga meu salário atrasado. Imagine tu-do isso em câmera lenta.
A mesa velha, papéis caindo ao chão, mos-cas na careca do meu chefe, o botão de-sa-bo-to-a-do jus-ta-men-te no umbigo dele, o ven-ti-la-dor de teto que quase não gira e o sol fer-ven-do lá fora.
Agora volte a realidade comigo, há uma velha cafeteira na sala. Meu único conforto ali.
O café não é forte e nem amargo. Não tenho grana pra manter café forte e amargo em dois lugares.
Da janela dá pra ouvir o trânsito caótico lá fora. Há um pano velho na janela e isso me faz lembrar Bernardo Soares. Pouca gente sabe quem é Bernardo Soares. Pouca gente sabe quem sou.
A hora do almoço não tem na-da de sa-gra-da na minha vida. Se eu tiver grana pra coxinha já vai ser algo maravilhoso.
Vez ou outra encontro algum amigo. Eu pago o café, ele os cigarros. Conversamos qualquer coisa pra encher a barriga de vento e logo o vento nos leva pra qualquer outro lugar. Pro-va-vel-men-te o segundo emprego. E tal-vez seja por isso o alto índice de desemprego em to-dos os lugares.
Há uma certa melhora. A cafeteira é mais moderna e só preciso me servir. O café es-tá sem-pre lá. 
For-te e doce.
Maria João diz: "De amargo já basta a vida, meu filho".
Du-as se-ma-nas de-po-is d. Maria João descobre que tem diabetes. O café continua forte, mas a-go-ra com Adocil. Perguntei a Maria José por que não usava Zero Cal (kal?) e ela respondeu que não gostava do Zé Wilker.
Eu tam-bém não gostava dele. Ah, A-que-les ó-cu-los coloridos durante as premiações do Oskar me irritavam ma-is que os comentários absurdos dele.
Prefiro Zé de Abreu, mas não sei dizer os motivos.
Todo mundo tem o seu Zé.
Só não desejo o Zé Pequeno pra nin-guém.
Minha cabeça a essas horas es-tá cheia de café, cálculos e ca-ra-mi-nho-las. Meu estômago distribui pon-ta-das e ao caminhar na rua imagino que a qual-quer ins-tan-te um filhotinho meigo de Alien vá sair pela minha barriga.
Ao sair do trabalho, um copinho de café na mão e o notebook nas costas, vou pra casa. Dobro a esquina e sou assaltado, es-fa-qui-a-do 23 vezes porque o cara havia assistido esse filme idiota e faltado todas as aulas de matemática do en-si-no fun-da-men-tal.
O café vaza pelo meu corpo. A população inteira da cidade chega até mim, menos o SAMU.
Men-ti-ra.
Na-da disso aconteceu.
Queria apenas deixar essa crítica ao SAMU, pois vale o mesmo que a Madonna condenar algo relacionado as Pussy Riot.
Começo a achar que Elton John tem razão sobre o que anda falando sobre ela.
A crônica termina por aqui. O cachê para a voz do Wagner Moura na cabeça não permite mais carácteres.
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Olá, olá.
O Good Times está de volta, mas ainda estamos de mudança. Eu e Nathy  temos ótimos planos e posts e zaz! Então paciência, gafanhotos!

06 fevereiro 2012

Boa parte de mim vai pra Espanha


O dia estava nascendo. Dava pra ver no horizonte. A vista era linda. Prédios antigos, as pessoas charmosamente vestidas à moda que o inverno ditava. Aquele clima estava pedindo uma visita a Ponte de Alcântara, mas o dinheiro para o aluguel da lambreta teria que esperar. O sol saía pra esquentar um pouquinho. Eu ria ao tentar lembrar do sol do meu país. Das luzes quentes, nas madrugadas quentes. E uma lágrima de saudade escorria e eu corria e escrevia sobre estar ali, sobre querer um afago familiar, uma cervejinha no domingo à tarde, o som do carro bem alto e o vento levando e lavando minha alma.
Mas uma caminhada a Guadalupe eu não evitaria. Lugar lindo e cheio de histórias. Eu torcia pra lembrar de todas elas e contar na roda de amigos. Roda, quadrado, triângulos e tantos círculos. Dá até tontura lembrar. Dá cansaço só de lembrar das ladeiras que tenho andado. Mas a paisagem faz esquecer rapidinho. Só não esqueço daquele monte de ninhos de gaivotas. Nunca tinha visto tantas juntas.

Um estalo, um canto do galo, o sol na janela.

As paredes verdes, a velha estante de livros, o criado-mudo que mesmo pintei, as revistas espalhadas no chão, o skate do meu irmão, os recortes e pôsteres nas parede, os adesivos na janela, o baú cheio de lençóis, o rádio da vovó tocando ao longe, o ventilador rangendo, os primeiros espirros matinais, algumas pecinhas de Lego jogadas pelo chão, roupas penduradas atrás da porta, sapatos jogados em qualquer canto, algum brinquedo do meu irmão caçula, aquele trequinho de proteção que nunca sei o nome pendurado na janela e o vento balançando-o.
Depois de um tempo, você passa a perceber que dá pra estar em dois lugares ao mesmo tempo. O único problema é que se uma parte de mim está na Espanha, eu deveria me sentir mais leve e não o contrário. Mas talvez, por ser o contrário, por sentir esse peso, signifique o real laço que existe entre a gente. E não é nem pra ter um talvez nessa história. É isso sim. Acabei de sentir o fio amarrado no meu tornozelo e faltando alguns pedaços do meu peito.
E isso faz todo sentindo quando te abraço.





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Hey, Nathy, ~ ainda ~ não é seu aniversário. Mas cá está, umas palavras pra você, que fez de 2011 um ano cheio de sol e cerveja pra mim. E 2012 também, claro.
É bem assim que quero me sentir enquanto tu se encontras nas terras hispânicas.

Amo você, Oskar.

02 janeiro 2012

Acabou Chorare

"Acabou chorare no meio do mundo.
Respirei eu fundo, foi-se tudo pra escanteio
.
Vi o sapo na lagoa, entre nessa que é boa."













O sol brigava com as folhas e as nuvens para chegar até nós. E ao conseguir, encontrava ainda as garrafas de suco e cerveja que amarramos nos galhos durante a noite toda, acompanhando o ritmo que íamos esvaziando-as. Era um espetáculo lindo de luzes, cores e sons sobre nós.
A cidade estava dormindo ainda. Dava pra ouvir o som do mar se arrebentando nas rochas, e a vontade de dormir sob a sombra, luzes e cores da nossa árvore era tão grande que quando ganhei cafuné da Cris fechei os olhos e apenas me permiti sentir o calor das luzes.
Sempre que eu me permitia sentir as luzes e o calor que delas emanava, lembrava do Oskar, que já tirava seu cochilo sobre a sombra da árvore há alguns minutos. A ideia de amarrar garrafas vazias nos galhos da árvore fora dele. Mas nenhum de nós tinha noção do quão lindo ficaria.
A Cris parara de fazer cafuné. Sinal de que estava tirando seu cochilo também. Abri novamente os olhos. O vento balançava os galhos fazendo as garrafas se tocarem e assim produziam sons quase mágicos. E talvez até fossem. Respirei fundo, e mais fundo outra vez. Às vezes eu tinha medo de espocar de tanta felicidade, como o Oskar costuma dizer.
Um ano havia passado desde que conheci e passei a conviver com todas aquelas pessoas deitadas sobre a sombra, luzes, cores e sons da nossa árvore. Às vezes nem parecia um ano. Às vezes pareciam vidas. E a ausência deles pareciam séculos.
Minha amizade com aquelas pessoas era algo impressionante. Era uma doação de amor sem medidas, sem interesses; era algo que eu nunca tinha provado na vida. Era algo que sempre me dava a impressão de estar em falta com eles. E eu realmente espero estar sempre em falta, porque essa falta só eles são capazes de preencher.



21 dezembro 2011

Te extraño, cariño


Eu abri minha vida pra ti. Abraço-te forte, porque só assim o dia começa bem. Eu desenhei teus olhos. Barcelona te aguarda.Eu puxei teu cabelo bem de leve. Cabeça de Nêgo. Eu seguro tua mão o mais forte que posso. Dou-te mais uma vez esse amor. Eu cantei bem alto no carro. Eu te amo. Eu viajei de Fusquinha. Farofa no sanduíche é dos deuses. Eu esqueço os outros. Grama verdinha, escuta o vento. Eu vou espocar de felicidade. Hoje foi muito bom te ter por perto. Eu cortei o dedo com papel. Isa está ou não está? Eu vi o sol se pôr, deu pra sentir o calor da luz laranja. Jamais esqueça que te amo mais que o tamanho de todos os universos e tudo o mais. Eu chorei com tuas cartas. Leve-me "apenas para andar por aí". Eu trouxe cerveja. Mesmo do mais. Eu fiz desejo para a estrela cadente. Nisso tudo eu só sei que sou feliz contigo. Eutocosono. O sol deixa teus olhos lindos, lindos. Eu te escrevi um poema. Pequenina, dá cá teu sorriso mais uma vez. Eu descobri tua casa. Quero dar-te aquelas coleções de filmes de 70. Eu dividi um café. Rir contigo é o que de mais fácil existe. Eu devia terminar de escrever ao menos um livro. Saudade desceu do carro junto comigo. Eu tenho medo de altura ou medo de cair. Te extraño, cariño. Eu vou pescar. Universo < que meu (L) por ti. Eu viajei muito. Vai dar tudo certo. Eu perdi o fio da meada. X-bacon grátis. Eu realmente vou espocar de felicidade. Zumbis matinais bebericando café. Embrace my heart and stay.

09 dezembro 2011

"Meu Amor é Teu"

- Dói tanto, Lu.

A tinta da parede estava descascando. Eu já sentia tua falta e inveja de Minas Gerais. A conta de luz com 2 meses de atraso, o gato improvisado. Ouvir teu riso é tão bom. Estávamos atrasadas para a universidade. "me dá amor". Droga, outra multa por estacionar em lugar errado. Teu abraço é cheio de amor. Tá muito quente esses últimos dias. Últimos dias...

- Eu nunca vou saber a medida da tua dor. Mas posso dizer-te que se há a dúvida nesse amor, escolhe pois o melhor. O próprio amor por ela. Sofre a saudade, xinga a distância. Mas nunca tente competir em quem sofre mais. Todos sofrem, mas cada um a seu modo. Não cobre a ausência dela, cobre beijos e carinhos. E respire sempre fundo. A gente sempre esquece de respirar, porque a única coisa que importa no momento é sentir quem amamos por perto.

Cinco litrões e três caixinhas, felicidade líquida. "Me dá amor". O Governo não muda. Te fiz um poema. O Sócrates faleceu, meu Corinthians Penta Campeão Brasileiro e goleada do teu Cruzeiro em cima dos Galinhos. "É uma saudade que rasga de norte-nordeste. E a minha sempre vai ser maior. Sempre". Tem promoção de livros naquele site.

- Eu sei que dói muito. Mas isso é sinal de que a gente sente, que ama de verdade. Não pensa que vai ser pouco tempo perto dela. Esquece o tempo. Falta tão pouco. Teu coração ta que é um sufoco. Alivia ele lembrando de tudo que vocês já viveram, das conversas... Talvez o que eu fale seja o errado. Mas nunca vou aconselhar a desistir do amor. Nunca vou deixar o amor esquecido. Mas ele me esquece.

Amigo oculto do trabalho foi chato. Não sei o que te dar de aniversário. Esqueci teu livro de novo. O vento passa por meus alargadores e produz música. "me dá amor". O xarope de tosse é horrível.

- O silêncio machuca mais que qualquer coisa, eu bem sei. Mas pense: durante o silêncio, a culpa é apenas da nossa cabeça, que não para de hipotetisar um minuto. Procuramos sempre justificar tudo. É automático. Então alivia essa cabeça, deixa o orgulho um pouco de lado e pede notícias. Se ja fez isso e não teve resposta, aguarda. Há tanta coisa pra se fazer no dia a dia...

Muita promoção pra viajar, só falta o dinheiro. Prova final numa sexta-feira à noite. Cantar bem alto no carro. Extremos da cidade. Tu vai me escrever la de Minas, não vai? Sou mais velha que tu. A cerveja ta quente. Nunca mais deixo você escolher bebidas exóticas. "me dá amor". Eu dou, eu dou. Deixa eu te proteger aqui, bem aqui detrás dos meus cachinhos.

- Falei demais que até me perdi...
- Ah... Lu, seu tagarelamento é mais gostoso que cafuné, sua boba.

10 outubro 2011

Nosso Café

Aos 20 anos...

- Oi, quer café?
- Aceito.
- Mal dormi essa noite. Monte de pesadelo.
- E eu foi uma guerra pr'acordar.
- Tem aula hoje?
- Rapaz, tá rolando lá.
- Café feito naquela velha meia furada...
- Nem fala.
- Já foi.
- E tu vai beber?
- É café.
- A gente devia ter bebido primeiro o café, depois comido o salgado.
- Agora já foi.
- É, já foi.

Aos 30 anos...

- Quer café? Vou passar em frente ao seu trabalho.
- Traz bem forte. Segunda-feira precisa de pelo menos 5 litros de café.
- Tenho conhaque na bolsa, quer?
- Errrrrrrr... Não! Tá louca?
- Eu tava brincando. Não posso beber no trabalho.
- Seeei...
- Bem forte, né?
- Isso!
- Tudo bem, em cinco minutos tou chegando aí.
- Hey! Calma! Aquele lance do conhaque era brincadeira mesmo?

Aos 40 anos...

- A ligação tá horrível.
- É porque tá chovendo.
- Cê tá aonde agora?
- Numa província da Tailândia, perto de Camboja. Lindo, lindo, lindo demais.
- Imagino que sim. Vi algumas fotos suas numa exposição em Madri semana passada.
- Sim, sim. Não tinha como te avisar da exposição. Mas que bom que a encontrastes! O que achou?
- Maravilhosas, claro! Fiquei gabando-me por ser tua amiga.
- HAHA, imaginei. E tu? Tá aonde agora?
- Ainda em Madri, mas parto amanhã de volta a Barcelona. Fui convidada pra dar umas palestras sobre meu livro. Aliás, você recebeu a cópia que te enviei quando você tava no Nepal?
- Recebi sim! E já o devorei, mas escrevi todos os meus comentários pra entregar-te pessoalmente.
- E quando tu voltas pro Brasil?
- Daqui a três dias. E tu?
- Perfeito. Voltaremos então daqui a três dias.
- Pronto! Nem te digo que comprei o café dos deuses da Tailândia.

Aos 50 anos...

Eu não faço a mínima ideia de como elas estarão aos 50 anos. Não sei o que estarão fazendo, com quem estarão, se terão filhos...
Eu só sei que elas irão continuar dividindo café de algum modo.

12 setembro 2011

Curvas e até Ladeiras

E a gente ia, seguia sempre olhando as estrelas, sentindo o vento bater de leve no rosto, ouvindo os acordes do violão que já iam longe, tentando segurar com a ponta dos dedos a memória dos risos...
Dançando com o vento. Era assim. Dançando com o vento.
E indo, sempre indo. E tentando, sempre tentando de algum modo, levar todo mundo com a gente pra onde íamos. O meu todo mundo, o seu todo mundo, uma mistura de mundos que se complementavam não perfeitamente, mas do modo que convinha, todos dentro de uma conchinha feita por nossas mãos. Protegidos talvez de nós mesmos, de nosso amor, de nossos medos. Mas protegidos.
E se olhassemos pra cima, haveria tantas conchinhas nos englobando, tantas, tantas que quase não haveria céu pra apreciar. Mas eles sabem, o amor diz pra eles que o céu gosta da gente. Sim, ele gosta. A gente também.
"O nosso andar vai junto, porque os meus pés são os seus e os seus estão nos meus pés."
E sem exigir nada, sem exigir tudo... A gente vai indo.
Pra'qui, pra'colar o amor em tudo que é lugar. Pra mostrar que hora não existe, só o vento. E a gente vai indo, olhando as últimas estrelas que saem antes do nascer do sol. Iguais a gente na rua, o som, o vento, nossos pés, por curvas e até ladeiras. Subindo, descendo, pulando, rindo. Indo. Sem se preocupar com a hora, com o que há de se fazer depois. Indo, rindo, indo, subindo até o céu da boca. E indo, numa algazarra sem medida, por vezes acompanhada de preguiça. E indo. Rindo junto.
E levando todo mundo numa música, numa blusa, num beijo na bochecha, Pra'qui, pra'colar o amor em tudo que é lugar.

06 setembro 2011

Wake Me Up When AGOSTO Ends

Pense num mês em que cada segundo durava uma semana, que quando um copo ia cair no chão, levava 15 dias pra atingir o percurso e se espatifar, que o almoço de domingo legou 8 domingos pra ficar pronto, que a água pro chá colocada no fogo às 8hrs, só foi ferver às 22hrs...

Setembro começou hoje e a felicidade veio banhada de café.

*Foto de Daniel Lira*

26 agosto 2011

Entre Estrelas e Vagalumes

A nossa impotência diante de certos problemas, a nossa cegueira na escuridão que nos faz buscar soluções prontas, criadas para agasalhar nossa esperança de que há um caminho com setas e hospedagens. Mas não há caminho. Porque na verdade nós o criamos a cada segundo que passa.
Cada indivíduo deve arriscar a caminhada no escuro, tropeçar, bater a cara no muro, se sujar na lama, ralar os joelhos, criar calos, sentir medo e também desfrutar os momentos de confiança, respirar a consciência aventureira da criança que tenta dar os primeiros passos, desgarrando-se dos braços firmes dos pais.
De que adianta imaginar como seria. A realidade nunca é como imaginamos. Cada um deve fazer a sua caminhada, única e singular. Criar seu caminho através das pedras e das flores. Das poças e chuvas à grama e sol.
Encontrar em si as soluções. As respostas estão dentro de nós. Nossas próprias decisões são as respostas. O silêncio, o diálogo consigo e o ato de interpelar-se, auscultar-se, interrogar-se, são os motores para essa descoberta. E é o que menos se faz hoje. O medo de ouvir-se e perceber que a própria voz pode ser contrária com as do que nos cercam. Esse medo natural, avisando que ficar seguro é o melhor a ser feito.
Mas como se saberá o que se é melhor? Bons exemplos devem ser seguidos e cada um sabe o que é melhor pra si. Agora o momento em que se descobre o que é melhor pra si, é quando olhamos pra trás. Esse é o momento em que vemos o caminho que trilhamos e analisamos os tropeços e acertos para poder continuar caminhando.
Por isso não existe o "nunca olhar pra trás". Há de sempre se olhar para trás para poder não andar em círculos. Fórmulas prontas são feitas para curas superficiais. A verdadeira resolução está na descoberta individual do seu próprio remédio. E esse só aparece quando paramos o tempo e simplesmente nos ouvirmos.
Alguns amigos são como estrelas ou vagalumes. Às vezes os sentimos longe. Às vezes estão bem perto. Alguns brilham tanto que basta a sua presença para iluminar toda a nossa caminhada. Outros aparecem de quando em vez, despontam numa luzinha singela e nos mostram um ponto de chegada. Ambos surgem para ajudar-nos a enxergar o que ainda não podemos ver. Entretanto, nem estrelas nem vagalumes são capazes de mudar alguma coisa ou de construir um caminho.

09 agosto 2011

Dia 21

Estavámos os dois sentados na varanda dos fundos. Fazia tempo que não tínhamos um tempo pra nós, e ali revolvemos ficar lendo aquele livro de contos, escolhido na sorte de olhos vendados no sebo recém descoberto perto de casa. Ele continuou lendo, mas minha mente ainda trabalhava neste trecho:

"É que cansei. Fartei-me. Vinte. Mais de vinte anos a dividir, viver, absorver desabafos, e a conviver e sobreviver... com desabafos. Teus desabafos. Tenho sido companheiro, amigo, irmão, padre, amante, analista, confidente. Um tudo de pouco. E de muito também. Logicamente levando em conta minhas limitações. Não rias, estou falando sério. No ínicio havia o prazer do desconhecido, a atração pela intimidade não revelada. Eras um tonel de segredos inebriantes. Embriagava-me a desvendar os túneis da tua mente. Os labirintos. Aonde iam dar."*

Alguns diriam que era uma mensagem subliminar dele pra mim, que o livro não fora escolhido ao acaso, que ele espiara pelas brechas de meus dedos e escolhera este livro de contos para mostrar-me como se sentia. Mas eu sabia que ele não era assim. Subliminar não era com ele.
Olhei para os lados, encostei minha cabeça em seu ombro. Ele lia e eu continuava a repetir este trecho em minha cabeça. Fazia sentido. Eu poderia dizer que ele voltara ao passado só pra escrever aquele livro para que neste momento, sentados na varanda, ele me mostrasse o quão cansado estava de apenas doar-se pra mim, de ser tudo pra mim, de apenas ser consumido e nunca preenchido.
Meus olhos encheram-se de lágrimas ao perceber que era assim que estavámos. Que era por minhas faltas e ausências que estavámos tão longe um do outro. Que era por meu egoísmo e medo de estar só, e o medo de estar junto também. Mas por tanto tempo ele estava ali, ao meu lado. Cansado, mas continuava ao meu lado. Carinhoso sempre. Risonho sempre.
Ele continuava a ler sem perceber que eu chorava em silêncio no seu ombro. Ou talvez percebe-se e estava apenas respeitando meu tempo de reflexão. Era assim desde o começo, sempre sabia o que fazer e o que não fazer a respeito de mim. Conhecia-me melhor do que eu mesma.
E ali, encostada em seu ombro lembrei de uma frase do Caio Fernando Abreu: “Deitada no ombro dele, ela via seu rosto muito próximo. Esse era o sonho, nada mais”.
E percebendo meu silêncio, ele me olhou, colocou o livro do lado e segurou minhas mãos. Esperaria o tempo que fosse, mas não perguntaria o motivo de meu choro. Apenas esperaria eu falar. E o que eu falaria?
Abracei-o forte, senti seu cheiro. Muitas coisas passaram por minha cabeça, muitos erros que cometi, minhas ausências... Talvez, reconhecer aquilo tudo já era um passo. E era apenas dele que eu precisava. Esqueceria o limite do tempo, do espaço, meus medos e egoísmo. Era apenas dele que eu precisava e nada mais.


*Dia 21, pág 43 - O Clube dos Feios e outras Histórias Extraordinárias - Carlos Trigueiro.


25 julho 2011

Ai de Mim

"Ai de mim, que vivo sem ter ninguém.

Porque a demora se agora

um homem me cai tão bem,

não vejo nenhum porque,

não sou exigente,

mas há requisitos por preencher.

Não quero um Zé qualquer."


Ai de Mim dos Comparsas da Vivenda

Tem dias que meu grau socialização é tão grande que chego a falar com qualquer pessoa da rua e me torno amiga de infância. E isso é sério e sem exagero. E em um desses dias, estava esperando meu ônibus pra voltar pra casa quando certo senhor sentou a meu lado comendo uma maçã. Ofereceu-me um pedaço, eu recusei e agradeci. Ele brincou dizendo que não era a bruxa disfarçada da Branca de Neve e com isso ganhou minha confiança. Gargalhamos muito.

Depois de conhecer a história dele: “Curitibano, 86 anos, militar aposentado, 2 filhos, 5 netos, duas esposas, e uma horta em casa que ele mesmo cuidava”, era a minha vez. Fui soltando pedaços aqui e ali. Ouvir sempre foi minha especialidade em termos de amizade.

Passados uns minutos, ele solta: “Tem homem nessa história. Desembucha que é melhor”.

Ele estava certo, claro. Tem um homem nessa história. E tem uma mulher que tem medo de firmar algum compromisso.

Engraçado. Quem fugia antes eram os homens. 'Taí, vim pra mudar a história. Pois eu estou em fuga. Em fuga em certos momentos. Em outros percorro o caminho de volta. Por vezes, arrependo-me no meio do caminho e a fuga continua.

Gosto do indefinido. Ele não cobra nada e também não é constante. Por que ter que definir? Declarar ao mundo um status? Colocar um anel no dedo?

Dizem que tudo isso funciona como prova de confiança, de amor. Mas veja bem, pra mim não passa de prova de desconfiança.

Pra facilitar tudo, porque não apenas viver? Indo, sabe?

Não consigo me prender. Deve ser trauma. Deve ser a idade. Velha demais? Nova demais?

Não sei dizer. Não sei o que quero. Só sei que não quero ficar só.

08 julho 2011

"É pr'amanhã"

Desde pequena sempre me perguntei sobre várias coisas. Por exemplo: Por que criamos o tempo?
Algumas pessoas me respondiam que era pra sermos mais organizados. Outras me responderam que não criamos o tempo, é ele que nos cria.
As duas tem certa razão. Mas não sou nada organizada tendo o tempo ao meu lado ou não.
Fica esse maldito desejo de liberdade querendo se fazer dono de mim, tirando-me do sério, da linha, dos trilhos, das horas regulares de sono, do horário certo de comer, desrespeitando prazos, ignorando os descontos que virão no meu salário por não ser assídua...
E acredito ser isso que me dá a sensação de correria, afobação, quase um pire-paque no coração.
Ledo engano, era tudo culpa da procrastinação. Essa danada que eu abraço todos os dias mesmo sem perceber e que à noitinha sempre paga uma cervejinha pra nós no bar da esquina.
Hoje de manhã perguntaram-me como consigo viver assim: sempre deixando pra cima da hora, por vezes não conseguindo, outras por pura sorte. E simplesmente respondi que é assim que sou feliz. Mesmo quando a pilha de deveres parece ser mais alta do que eu.
Sem prazos, sem horários, sem qualquer coisa que se torne dona de mim. Afinal, nem eu me pertenço.
Já ouviram a canção do António Variações "É pr'amanhã"? Foi feita para os procrastinadores, sem dúvida! Bah tchê, escutem!


27 junho 2011

El Amor

Não que eu esteja amando. Não, na verdade estou. Mas por determinadas coisas, por determinadas pessoas, já que minha amada parceira de blog declarou livre o Poliamor. Por que não, afinal?
Dias atrás um amigo perguntou se eu gostava de Arnaldo Jabor, falei que sim. Mas fazia tanto tempo que eu não lia nenhuma crônica do Jabor. Senti-me em dívida com aquele amigo. Certa noite, a amiga insônia lembrou do Jabor e lá fui atrás de algo pra ler sobre ele. Eu sabia que tinha algumas coisas em casa. - (Eu devo ter um fã clube de traças por guardar tanto papel velho, mas nunca inúteis) - Catei alguns papéis, joguei outros tantos pelo chão e achei o Jabor entre uns trabalhos de Introdução a Filosofia.
A crônica que li falava que estávamos precisando mais de amor e menos de sexo automático. Na hora não prestei atenção, li outras vezes, mostrei pra vários amigos. Uns concordaram, outros ficaram revoltados com Jabor, outros tantos nem sabiam quem era Arnaldo Jabor.
Pois eu, logo eu, que não tenho um relacionamento sério e estável há quase 3 anos, defendo o Jabor. Mas a meu modo. Sem os moralismos da vida e fazendo coro ao Poliamor.
Eu preciso de amor, sinto-o, vejo-o e respiro-o de vários modos. Em todas as coisas, em todos os lugares, em algumas pessoas. Acredito que tudo varia de como vemos, como agimos e reagimos a tudo.
Jabor está certo. Queremos amor, mãos dadas por aí, risos bobos, "e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós...".
E tudo devido a correria, a educação, ao condicionamento que recebemos há alguns séculos. Então, ultimamente tenho preferido parecer ridícula, brega, sem pensar muito na opinião de quem me cerca e demonstrado meu amor a tudo que amo, que amei, que passei a amar 7 segundos atrás.

Fotos via: Vamos que Podemos

02 junho 2011

Abelha no Café

Qualquer coisa me faz divagar. É algo muito simples. Basta que não tenha ninguém me mandando fazer algo. Por exemplo, posso estar sentada ao seu lado, te ouvindo falar sobre qualquer coisa, mas quando você menos esperar, estarei observando como a luz do sol bate em certa folha daquela planta que está na nossa frente. É simples, é bom. Você devia tentar às vezes.
É bom se desligar.
Você já viu abelhas que gostam de café?
Eu já.
Quase arranjo briga com duas hoje por causa do meu café. Mas não sou de briga, então bebi minha parte do café e deixei um pouco para as duas. Elas enrolaram bastante até ver que o que estava na caneca era pra elas. E ia uma de cada vez. Achei isso magnífico. Se fossem humanas, teria dado briga e o café teria derramado. Achei incrível também elas gostarem de café amargo. Sempre achei que abelhas gostavam de açúcar. Mas "todo penso é torto".
O sol já estava baixinho e elas ainda estavam lá aproveitando o café. Eu tinha que encontrar alguém, mas como não conseguia prestar atenção em mais nada além das abelhas, nem me preocupei. Elas voavam silenciosamente, revezando a vez e ficando cada vez mais ativas. Alegres, vivas.
Eu sei que não é fácil se desligar. Há tantas coisas pra se pensar, pra se fazer, pra planejar... Mas me diga, porque não apenas sentar e olhar? Respirar? Fechar os olhos e sentir os cheiros ao redor?
O que sempre vejo "é cada um por si na sua própria bolha de ar".
Eu sei, sei que é difícil. Acha que sempre fui assim?
Ai, ai... Dói lembrar quando tudo me prendia e nada me pertencia.
As abelhas voando sobre a caneca de café. Esse não é o lugar delas. Deviam estar nas flores, nas frutas. E não em uma caneca de café.
Eu sentada na varanda, com uma caneca de café e um caderno cheio de pensamentos. Esse não é meu lugar. Esse é um dos meus lugares.
É tão fácil, tão simples. Mas eu te vejo complicar tudo. Já te disse, esquece o problema, pensa na solução. Logo, logo ela aparece. E se não tiver? Ora bolas, se não tem solução, então não tem problema a ser resolvido.
Estou falando bonito, não é? Eu sei. Também estou impressionada com essas palavras otimistas. Mas veja bem, eu bebi café, está um clima bom, estou na minha varanda e tem abelhas voando no meu café. Bom, era meu café. Mas não tem problema, elas dão uma cor especial a esse fim de tarde em que passo mais uma vez sem você.