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21 agosto 2011

It's a long way

clê,
desculpa a demora pra te responder.
quando tu viajastes, centenas de grossas correntes entrelaçaram meu peito.
todo dia, todo santo dia, elas me apertam mais um pouquinho.
só que eu descobri uma coisa: quando a música no meu carro tá muito alta, é como se as ondas sonoras me libertassem desse nó.
eu canto desesperadamente, coloco o braço pra fora do carro, e canto bem, bem alto, pra ver se tu consegue me ouvir aí, em minas.
mas eu nem sempre estou no carro, faculdade dirijo casa dirijo trabalho dirijo casa. são pequenas injeções de momentos em que eu não me dôo com essa saudade imensa de ti.
a cidade continua quente e cheia de buracos. a diferença é que agora eu escolho as ruas que tenham mais buracos, assim eu dirijo mais devagar e fico alguns minutos a mais sem essa dor no peito. deu pra entender?
parei de adiar tudo pras férias, te contei? aquele livro a pintura do quarto a faxina do guarda-roupa a tatuagem o esmalte vermelho as caminhadas o chororô o cigarro a ioga. tudo. tô fazendo tudo.
enfiei na cabeça que o tempo que eu tenho é esse e pronto. listei tudo, pra não esquecer do que quero fazer mas não sigo necessariamente ordem alguma, da lista. é só pra não esquecer mesmo. pena que você não tá aqui pra ir tomar banho de rio comigo, em plena quarta-feira.
desenterrei uns cd's e tenho ouvido muita coisa antiga. tô te enviando um cd com essas músicas, você pre-ci-sa ouvir transa, do caetano veloso. "woke up this morning/ singing an old, old beatles song/ we're not that strong, my lord/ you know we ain't that strong" ou até "i'm alive and vivo muito vivo, vivo, vivo/ feel the sound of music banging in my belly/ know that one day i must die/ i'm alive". Lindo.
não vou me prolongar. preciso ir, hoje fico até as 20h no trabalho. a parte boa é que eu tenho uma rua bem esburacada pela minha frente.
p.s.: eu sei que você odeia quando as pessoas esquecem das letras maiúsculas. por isso, me policiei pra escrever sem nem uma, pra ver se você fica bem agoniada e volta logo pra casa. repare que esqueci muitas vezes e tive que usar corretivo. desculpe por isso também.
amor,
lis.



19 julho 2011

Tresloucada

E se o tempo que eu tiver for só esse aqui? O agora, o hoje? Isso não tornaria meus desejos imediatos os prioritários?
Meu status atual é: topo o que meu espírito quiser.
E eu te digo logo, ele está porraloca, o meu espírito. Parecendo até um personagem de Angeli.
Não aceita que eu volte pra casa antes que amanheça o dia e muito menos qualquer tipo de preocupação.
Me proíbe de fazer listas, programações ou planejamentos.
De doze em doze horas, injeta em minhas veias uma vontade incontrolável de pegar a estrada, pular os muros, saltar dos galhos.
E se meu espírito sou eu, então é isso o que eu quero.
Subir a serra, saltar de para-quedas, dormir bêbada, acordar bêbada, não me sentir sozinha, comer demais, não dormir, dormir demais.
Agarrar ainda mais os cobertores com a chuva fina da manhã e me embebedar com o calor do sol pela tarde. Enrugar os dedos por ficar tempo demais submersa e depois sair pra refrescar a garganta seca com esses líquidos borbulhantes das garrafas verdes.
Tudo. Eu quero t-u-d-o.

Que venham os dias quentes, as noites frias, pessoas esquisitas em festas estranhas, abraços, amassos e tudo o que tiver de vir.
Eu topo.


Um, dois, três e... .

20 junho 2011

Everything in its right place


Domingo às 23hrs, o que tu estavas fazendo?
As anotações na minha agenda cobriam toda a superfície do papel com compromissos acadêmicos e prazos inadiáveis que cobravam minha consciência de não estar cumprindo nenhum dos tópicos que eu anotei há um mês.
E então?
Adiei mais um pouco. Tinha sede da lua, das gotas fracas de chuva, fome de não fazer o que eu deveria estar fazendo, vontade de estar no lugar errado, desejo de ir até onde eu sei que não podia.
Foram muitas as vezes que esse meu nadar contra a corrente me rendeu noites sem dormir, tentando recuperar o tempo que eu gastei ao ficar conversando em um banquinho de praça com minha parceira de blog ou devorando meus Morangos Mofados. Noites angustiantes em que o "preciso terminar preciso terminar preciso terminar preciso" martela até eu me prometer que não, nunca mais vou deixar tudo pra cima da hora. Promessa esta que eu esqueço pela manhã.
É o meu espírito, eu te digo. Quais serão teus argumentos se eu te disser que estou fazendo justamente o que eu quero? Tu desejas o mesmo.
"Tua vida seria mais fácil se cumpristes tudo como deves."
E quem disse que eu quero uma vida mais fácil?
Vem, me dá a mão.

Domingo, 23hrs e nós caminhávamos pelas ruas desertas sem nos importarmos com a hora de voltar pra casa.


11 junho 2011

Triálogo e poliamor


- Sabe de uma coisa? Tem um lance que eu não consigo entender..
- O que?
- Ainda tem vinho aí?
- Porque nós temos que amar uma pessoa só. Eu não posso concordar com isso, sabe? Somos seres tão complexos, desconhecidos, misteriosos no sentido de sermos os inventores de um mundão de teorias, tecnologias..
- Do que vocês tão falan..
- Shiii..
- Eu mesmo, por exemplo. Eu amo uma porção de coisas, ínfimas, bobas, sérias, tanto faz. Amo os tons de azul ao longe, no horizonte, quando faz mais ou menos 6hrs da tarde, lá no meu bairro. Amo minhas fotografias antigas, teu cabelo desgrenhado, aquele brinco de estrelinha, o timbre da tua voz quando você fala meu nome.
- Temos que sair pra comprar mais gelo, já tá no finalzinho.
- Caralho, te aquieta mulher..
- Então, como seres complexos que somos, ainda assim não é aceitável que você possa amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Eu não entendo porque nós temos que canalizar nossos sentimentos e pensamentos pra uma única pessoa. Porque nós não podemos sentir amor como também poliamor...
- Poliamor?
- Mano, vocês estão trêbadas, hein?
- É, poliamor. Sentir, amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo, sem que um anule o outro. Sem que você esteja sendo covarde, injusta, trapaceira. Poliamor como o que eu sinto agora, pelo meu namorado, pelo meu professor da auto-escola e pelo guri que eu vi uma única vez entrando em um ônibus, semana passada.
- Mas isso não é amor...
- E alguém sabe o que diabos é, então? Se eu o sinto, isso automaticamento não o torna verdadeiro?
- Quem?
- O amor. Pelo meu namorado, meu professor de história e..
- Não era o professor da auto-escola?
- É, por ele também. O ponto aqui é que eu sou muitíssimo capaz de amar todas essas pessoas eternamente, até o próximo mês ou deixar de ama-los ainda esta madrugada. Ainda assim isso é amor pra mim. É terno, suave, bonito, acolhedor. É amor pra mim porque, se nada pode ser eterno, o amor não é a exceção da mesa. O amor também tem duração. A gente diz que não, que se acabou é "porque não era amor". Mas eu senti, eu fui feliz, me fez bem!
- Talvez nós digamos isso, sobre não ter sido amor porque acabou, como uma forma de nos consolarmos, sabe? "Ainda tenho chance, ainda tenho jeito. Isso aconteceu porque não foi amor de verdade", como uma desculpa pra não nos deixarmos abater..
- Exatamente... Mas foi amor. Nem que tenha durado os 2 minutos e meio em que você viu o guri barbudo caminhar e entrar no ônibus e que nesses 2 minutos e meio você se imaginou indo ao cinema com ele e teu coração bate forte, e foi bonito. E só.
- É, as pessoas procuram especificar tanto as coisas, mesmo as mais simples. "Cada uma dessas 12 vassouras são diferentes entre si, cada uma serve pra determinado tipo de ambiente.." E o amor é só amor. Por ti, pelos amigos, duradouro, passageiro. Amor é só amor.
- Faz sentido?
- Não, não faz.
- É, não faz.