21 janeiro 2015

da maior importância


Não é tarde e nem cedo para dizer que estou com saudades de vocês. Não é tarde e nem cedo pra ver que por mais longe que estejamos, de algum modo esse laço, nó, cola, grude sei lá o que seja isso... Continua firme e forte.
Os anos vão passando e a gente segue nossa vida, nossos sonhos e aqueles planos rabiscados na bagunça que é nossa mente. Cada uma de nós abraça o mundo de um jeito. Seja com pernas longas, curtas ou passos de formiga.
E a gente vai levando. Seja na praia, no rio ou montanha. Gal toca ao fundo, o sol tá escondido nas nuvens, há poucas chances de ver o pôr-do-sol hoje. Mas a gente sabe que estará lá. É essa a essência. E a gente não precisa explicar qual é a importância nisso para ninguém. 
Nem pra nós mesmas.
E cada uma de vocês tem um jeito peculiar de dizer que é pra eu continuar andando. Correndo. Voando. Nunca parar. Nunca secar. Nunca ficar. Livros, filmes, músicas, fotos. Tem todo um amontoado de coisas e referências que a gente vai acumulando no querer e sem querer. Com compromisso e de bobeira na praia.
Os anos estão passando e a gente ta aí, nessa de coração vagabundo e aos poucos a gente vai guardando o mundo em nós.

"Suplicávamos o infinito. Só nos deram o mundo."
 — Cecília Meireles

01 junho 2014

Café Frio

Encontrar alguém que fale mal do seu café é como achar pão-de-queijo borrachento: muito fácil. Mas uma crítica ao café nesses tempos que não são de cólera, mas de pura falta de bom senso, tem que ser feita com maestria e carregada de referência. Pra assim defender sua carga cultural ou ideologia, se essa estiver presente no momento.
Não se aplica a tudo, afinal, paladar não precisa de ideologia para existir. E café ruim também não.
Relembro os vários cafés que bebi durante o ano passado. Querer lembrar de todos seria forçar a boa memória que não tenho. Por isso escrevo. Pra mim não existe isso de “recordar é viver”. Escrever sim, é viver. Ou navegar. Vai de cada um. Pois bem, relembro os vários cafés que bebi durante o ano passado. Comprar café na rua é uma grande aventura. Você não conhece nem um pouco o processo daquele café e mesmo assim, o compra, sem piscar. Café sem cor, café com gosto de qualquer outra coisa, café plastificado.
Na casa de algum amigo, ou seja lá de quem for, você aceita por educação. O calor escorrendo por suas costas, mas o café vem acompanhado de um sorriso e prosa boa. Aceita por vício também. Acho que muito mas por vício. Conheço gente por aí que pede mais de um e reclama a ausência de bolinho. Calma lá, amigo. A inflação tá bem mais alta que nosso pagamento.

Não foi ano passado, agora recordo bem, não sei quando foi. Só sei que é a melhor companhia para um café. A mente tem essas crias de imagens e sons que não nos pertencem. Mas lembro-me que houve uma conversa tão boa que o café ficou frio. E nem penso em largar esses cafés.

05 maio 2014

Terra do Dragão


[Já escutei e li muito “go west”]

Mas se você for analisar melhor, ir para o oeste não é o melhor a ser feito.

[exceto se ele te levar pro lado oriental do mundo]

 O Oeste, ou melhor, o Ocidente. O Ocidente pode ter sido chamado algumas vezes de Paraíso ou terra da felicidade. Terra nova, cheia de oportunidades, pessoas corajosas etc etc etc.  

[eu não me encaixo aqui nesse lado do mundo. quem sabe do lado de lá?]

O Ocidente não é a terra da felicidade. As religiões do ocidente não pregam a felicidade. Somente o sofrimento. E eu só quero a felicidade. Eu quero Butão!

[felicidade pode ser muita coisa. hilário é escolher Butão]

Faz alguns meses que pratico Yoga, bom, não com a frequência que me agradaria ou que traria melhores resultados no meu corpo e mente. Mas os poucos dias que consigo ir são maravilhosos. E de onde vem? Isso mesmo, do Oriente.

[pra quê tanta divisão?]

Mas o problema não é com o Oriente, é comigo mesma. Sempre preguiçosa e acomodada. Quando surge algo que exija um pouco mais de esforço eu já estou mudando a rota. Ultimamente isso tem mudado. Tenho uma heroína na China. Ela é louca. Quero alcançar a loucura dela.

[go west]

Mas, infelizmente, não posso negar minha paixão pelo Ocidente.

[é o que você conhece]


 O Oriente entra como aquele ponto desconhecido que não gosto de ter. Aos poucos vai se achegando e se encaixando nas minhas rotas e pesquisas. Bem aos poucos. Ser onde o sol nasce deve significar muita coisa, apesar de eu ter preferência ao pôr-do-sol.

06 março 2014

When you're strange


Acordei lembrando de uma madrugada em que estávamos escutando músicas aleatórias e uma delas foi aquela, do Ritchie. Você lembra? Acho que foi a foto de um amigo que inspirou nosso embalo em músicas antigas numa madrugada qualquer. Bom, não qualquer.
Nós rimos tanto. Fizemos umas coreografias tortas e vieram mais e mais músicas.
Parece outra dimensão aquele tempo.

Creio ser mais certa essa saudade, que é diferente da saudade que sentimos de nossa amiga do Caminho das Chinas. Que é diferente da saudade de nossas próprias viagens, que é diferente e sempre vai ser diferente de seja lá o que for. É diferente pra mim, é diferente pra você e pra você também que está lendo isso aqui e tenta se encaixar em alguma frase.
Quando olho pra esse nosso cantinho, vem esse trechinho do The Doors na cabeça:

"When you're strange, faces come out of the rain
When you're strange, no one remembers your name
When you're strange, when you're strange, when you're strange"

E eu sei que você entende bem a sensação.




(eu vou tirar a teia de aranha desse lugar e vou levar o pó pra ficar comigo e não me interessa o que os outros vão pensar. Vida longa ao Good Times, Oskar)

07 novembro 2013

note nº21


I know how you feel
I'm here
"I'll be there for you"

And no need to call, anyway, I'm on your side.

03 setembro 2013

Fuga nº 4 Changchun

photo: Nathy

Lembro daquela peça de teatro que foi baseada num conto do Caio Fernando Abreu. Naquele exato momento em que os atores fazem um exercício corporal de ir de encontro e desviar, desviar e ir de encontro e sempre, sempre, sempre ligados.

Sem cair no chão.

Isso me faz lembrar automaticamente de várias vezes que fui ao teu encontro, você veio até mim e sei lá, desde sempre estivemos ligadas. E sem mais precisar cair no chão. Exceto daquelas vezes em que rolávamos no chão de tanto rir. Rir até chorar. Rir até doer a barriga. Rir até faltar o ar.

Rir até perceber que só rimos assim quando estamos juntas.

Tem sido difícil ter o nosso tempo, acertar os ponteiros, os assuntos, as loucuras, as angústias... Os velhos cafés. Talvez o tempo - destino ou seja lá o que essa vida for - tenha sido criado por uma "criança que tomou LSD". É uma sensação de que o tempo passa muito rápido e ao mesmo tempo está parado. Nesse álbum novo do Cícero da pra ver isso.

É aquele fim de tarde que sempre íamos pro bosque, ver o pôr-do-sol, uma música tocava de leve (com certeza era um prelúdio desse álbum do Cícero), uma cerveja pra molhar a garganta e um desejo no fundo do nosso peito de fazer várias coisas, de gritar pro mundo que queremos ele inteiro, de correr com o pé no chão, arranhar um violão, rabiscar um poema num guardanapo qualquer, de ser quem a gente quiser.

Mas é tão difícil ser quem a gente quer.

Acabamos ficando estáticas nesse fim de tarde de sábado, cada uma na sua cidade, uma dorzinha no peito, lutando pra fazer um pouco do que gostamos, tentando achar nosso lugar no mundo.

Mas sem cair no chão.


10 agosto 2013

Onze



Aquela conversa toda de não se apaixonar por não ter tempo pra outra pessoa é a conversa mais fiada que já tive em toda essa vida.
E de flores de guardanapo do bar partimos para as bem vermelhas e com perfume melhor que o das cervejas. E promessa nenhuma é feita. Não é necessário. Um olhar, um toque. Ficou selado em nós o que toda a humanidade procura.
Os versos que te escrevo ainda não são capazes de demonstrar todo esse amor que transborda pelos meus poros atrás e por ti. Então, através de outras mãos e corações tento te alcançar. De todos os meios possíveis. Sejam eles flores de guardanapo, de verdade, bombons, churros, fotos, poemas quebrados, trocados, bagunçados, leões descabelados.

"A minha herança pra você é o amor capaz de fazê-lo tranquilo, pleno, reconhecendo no mundo o que há em si.
E hoje nos lembramos sem nenhuma tristeza dos foras que a vida nos deu. Ela com certeza estava juntando você e eu."

19 junho 2013

"Não somos muitos mas também não somos fracos"


Nós chegamos na praça ontem sem esperar muita gente. Ficamos sabendo do manifesto pela manhã, improvisamos cartolinas e xerox. Manhã e tarde dedicadas a divulgar o Ato, em rabiscar cartazes, enviar mensagens para amigos, conhecidos e qualquer um que nos dedicasse o mínimo de atenção.
Já no final da tarde lemos uma matéria na Folha de Boa Vista sobre o Ato. Não ficamos lá muito felizes. Isso de nomear boi e etc. É claro que precisamos de um porta-voz (veja bem, não um líder), mas esse porta-voz não precisa se promover. Ninguém precisa ou deve se promover. Mas espero que estejamos no caminho certo. Em construir o Brasil que queremos. Estamos espalhados e unidos ao mesmo tempo. Temos várias causas por que lutar e podemos apoiar outras tantas, mas o mais importante é nos manter unidos e sem destruir o que ja temos. É um pouco difícil, mas não é impossível.

Hoje vai haver manisfesto de novo, amanhã também e assim por diante. Não há mais volta e se voltar, será uma vergonha. Mas não há mais volta. Pra nenhum lado.
Nosso amigo Lucas Noronha gravou e editou a manifestação de ontem, assistam e juntem-se a nós: Manifesto Segunda #vemprarua #rr18j


E pra finalizar, tem esse vídeo muito esclarecedor. Espero encontrar vocês hoje, amanhã, sexta e principalmente no sábado. "Não somos muitos mas também não somos fracos". Não somos muitos mas somados ao resto do Brasil, somos uma nação!

16 junho 2013

Nosso quintal é o mundo

Nossas peles grudadas no calor, no frio, na água do rio que buscamos todos os domingos. Uma busca por sanidade nos cafés pela manhã, nos almoços improvisados e nas idas ao teatro.
Nosso quintal é o mundo.

Aprendi isso contigo no teu sorriso de malandro que tanto adoro. Nos teus trejeitos de ombro, nas respostas rápidas e despedidas formais nos emails. Nos vários cigarros, nas caminhadas. Nas longas caminhas. Nos submarinos e nos cassinos que nunca fomos. Nas massagens e piadas que construímos apenas num olhar.
Adoro nos imaginar velhinhos, as paredes cheias de lembranças de várias viagens. Fotos e mais fotos. Filmes e mais filmes. Livros e mais livros. Teatros e mais teatros. Abraços e mais abraços. E aquele cafuné que adoro fazer na sua barba.
Nosso caminho permanece lado a lado e quero que continue assim. Com a gente inventando tempo pra um café&cigarro debaixo da sombra de bambus.
Sem você não dá pra manter a sanidade, Claudir. Feliz aniversário, amigo-irmão.

06 maio 2013

Polaroid

As vezes eu tenho vontade de me colar em ti. 
Com cola, fita, adesivo, 
qualquer-coisa-que-cole-pele-a-pele.
"Ô moço, tem alguma coisa que cole pra sempre?"
"Mas colar o que, senhora?", dizia o atendende da loja de materias de construção.
Nunca falei a verdade, claro.
Cole GENTE, cole PELE, cole BOCA.
Tem não.

Dia sim/dia não eu me pergunto de onde é que nasce, cresce e cresce e cresce só cresce esse negócio bonito que eu sinto por ti. E até quando vai crescer. Até aonde. Tem um limite que ainda não descobri?
Não sei.
Não importa.
Só

                                                    tu.




"É medo e presunção acreditar em limites.
Não existem limites, nem para os pensamentos... nem para os sentimentos."
Sonata de Outono - 1978








02 maio 2013

Recado do Tom et all.

Era pra te dizer ontem, mas acabei esquecendo. O barulho do jogo atrapalhou e o Oskar não parava de falar da nova série que será sobre os contos do Edgar A. Poe. Fora todo o papo sobre visitar cadeia pública e as classificações que os gays dão às lésbicas. Mas isso não vem ao caso, o que importa é que Tom, Elis, Caetano, Vinicius, Adriana, Roberto, Ivete e até o Chico que não sabe cantar direito deixaram esse recado aí em cima.
Todos bêbados recortando revista pra fazer esse recadinho pra você. Sinceramente, acho mais prático te mandar sms, rabiscar um guardanapo, enviar um email, publicar no seu facebook, ou uma mention no twitter. Mas eles não, queriam recortar papel.
A verdade é que eu estava junto com eles. A idéia foi minha. Você sabe que tenho vergonha de admitir essas coisas.
Mas quando te vi ontem, com aquele sorriso que aquece a alma e dá uma calma que só é completa quando te abraço.
Que bom que você voltou, cachinhos. Bora tomar uma cerveja e ver o pôr-do-sol?

26 abril 2013

no alarms


Te chamei pra um café mês passado.
Tu não pode ir.

Te chamei pra uma cerveja essa semana.
Tu tinhas compromisso.

Te chamei pra qualquer-coisa-um-filme-um-papo-um-giro-por-aí.
"Vou viajar amanhã", tu disseste. "Quero ir de avião, olhar as nuvens. Nos vemos depois?"

Eu disse sim.

Comprei todas as vagas do avião, pro destino que você queria ir, pra ver se assim nós nos esbarrávamos por aí.

Tu foste de trem.

15 abril 2013

"Não há limites, Fernão?"


Li sobre A história de Fernão Capelo Gaivota durante o ensino médio. Tempo esse em que eu vivia na biblioteca. Bom, eu ainda vivo na biblioteca. (mas intercalo em mesas de bar).
Hoje reencontrei o livrinho enquanto olhava a estante de livros de um professor-amigo, ou amigo-professor. Li durante o horário de almoço, meio que relembrando as falas, meio que tentando encaixar minha vida na de Fernão Capelo Gaivota. É uma leitura rápida e com fotos lindas de gaivotas. (se não lestes, faz o favor de ir atrás).
Mas não precisa ser necessariamente uma leitura rápida. Pelo menos não da primeira vez.
Fernão Capelo Gaivota divide-se em três partes, já a minha vida divide-se em tantas. Não sei quem disse que Fernão é "um hino à liberdade". Mas está lá na capa do livro, junto com outras frases que se não fossem as fotografias de Russel Munson, eu jamais teria lido o livro. (mentira, se alguém de confiança indicasse, eu teria lido sim).
E é basicamente sobre isso. Sobre a liberdade. Dá pra criar muitos debates acerca da liberdade, mas o ponto essencial aqui é:

" - Por que será - interrogou-se Fernão - que a coisa mais difícil do mundo é convencer um pássaro de que é livre e de que pode prová-lo a si próprio se se dedicar a treinar um pouco? Por que será tão difícil?"


Eu me pergunto isso quase todos os dias.

01 abril 2013

Nota mental


Parte I: Angela 
(2:51 da madrugada de domingo)

Deu pause no filme, assistia La Science des Rêves, de Michel Gondry, pensou "Angela vai adorar esse filme", e escreveu com caneta azul na palma da mão: filme Angela. E viu ao restante do filme. 



Parte II: Marianne
(3:03 da mesma madrugada de domingo)

"Preciso anotar tudo o que tenho que fazer amanhã" não tinha papel, anotou na coxa esquerda, um pouco acima do joelho, com um marca-texto pink: ligar Marianne. Pensou um pouco mais nos outros afazeres. "Amanhã organizo o resto, isso basta." E dormiu minutos depois.



27 janeiro 2013

Cloud Atlas

"- eu tive um sonho. Foi a noite em que o conheci. 
No sonho, havia o nosso mundo, e o mundo era escuro... 
Porque não havia pintarroxos e os pintarroxos representavam o amor.
 E por muito tempo, só havia a escuridão. 
De repente, milhares de pintarroxos foram soltos, 
e vieram voando, trazendo uma brilhante luz de amor...
 Seria a única coisa que faria alguma diferença. E fez."

Blue Velvet, 1986

Meu corpo resolveu desacelerar. A vida, o que ela representa hoje, não pede tanta correria. Sei que vou contra a maré. - E logo eu que não sei nadar-.
Tão cedo nos ensinam que a vida é uma competição. "Que o mais fraco é alimento do mais forte." Que conhecimento é tudo. É poder. E somente o poder traz conforto.
E se nossa educação fosse feita de um jeito diferente?
Algo onde a Igualdade fosse levada como um princípio, base, terra firme.
Conhecimento não é tudo, poder não é tudo e o conforto há de vir primeiro de dentro. Pois não há coisa melhor quando sentimos que dentro de nós está tudo tranquilo. Não exatamente em ordem, mas calmo. Aquele velho conceito de paz que tanto andamos atrás.
E ao sentir isso, nosso corpo reflete de tal modo a atrair outras pessoas. 
...
Sendo cada um de nós, fraco e forte, feito ondas. Nunca uma coisa só. Pois nunca fomos um só.
Estamos interligados. Somos apenas energia. Pontinhos de luz, um atraindo ao outro. É uma energia tão forte e há tanto tempo esquecida que para descrevê-la, posso dizer ser uma mistura de amor com gratidão. Algo tão forte e tão bom não deveria ser deixado de lado.

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Esse texto terá uma continuação, mas primeiro suas bases precisam ser fortalecidas.

Gracias pela atenção,

Ágda.

15 janeiro 2013

Salve o puto!

Uma professora só.
Uma andorinha só.
E nenhuma das duas
consegue fazer verão.

E muitos verão
Que fora dos livros.
É que habita o saber
De boa qualidade.

E de verdade
ninguem consegue viver
E de mentira
não dá pra ensinar.

Somente graças aos livros
podemos atravessar o mar
sem precisar pagar
Aquele puto que não há.

06 janeiro 2013

tout va bien

Jack, 
quebre as economias do porco e bota a mochila nas costas. É isso, irmão. 
Esse ano tá sendo uma loucura, cheio de lágrimas, de bolsos vazios, de amigos distantes, de línguas diferentes, de longas caminhadas sozinho. Mas eu experimentei uma cerveja belga na Bélgica, cara (comprei uma pra você, mas... enfim, te conto pessoalmente), e fui naquele café francês, do filme francês que você adora, aquele com a personagem do cabelo curto, não me lembro o nome agora.
Passei um bocado de frio também, Jack, mas eu digo um frio-não-físico. Digo o frio de enfrentar um monte de coisas pela primeira vez, e na droga da companhia de mim mesmo.
Mas deu certo, isso eu te digo, deu certo.
Molhei o último postal que ia te mandar, e, pasme, essa carta é a maneira mais fácil pra mim de me comunicar, vendi o celular (depois me lembre de te contar dessa história também!).
Meu trem sai daqui a 10 minutos e eu tenho que me despedir agora. Ouvi falar que esse trem passa ao lado de uma estradazinha, no meio dessas florestas que a gente só vê em filme, acho que vai ser uma viagem bonita, vou tirar umas fotos pra você.
Me espera daqui a um mês, naquela esquina que tem o boteco do seu João, certo? Devo chegar no final da tarde. Vamos ver o pôr do sol.



Sal.


"Continuei, como fiz toda a minha vida, quando as pessoas se interessam por mim.

As únicas pessoas que se interessam por mim são os loucos.
Os que têm loucura de viver, a loucura de falar. Os que desejam tudo a um só tempo.
Quem jamais é tedioso, nem diz trivialidades.
Mas que arde, 
arde, 
arde 
como velas romanas pelas noites."
(On the Road)

26 dezembro 2012

Admirável Mundo Novo

Eu respirava tão fundo e bem lentamente. Desejava que meu pulmão sentisse aquele novo mundo que estava conhecendo. Tocava tudo com todo o cuidado, sentindo cada partícula, imaginando como teria sido todo o processo de criação. As folhas tinham um tom diferente. A vida pulsava delas. De todas elas que estavam no pequeno bosque. Podia ouvi-las também. A Terra é a nossa mãe. O vento é a nossa vida.
Não sentia apenas o calor humano, eu os via sair através de sua pele, via pra onde iam, via suas cores, sentia seus cheiros. Alguns lembravam infância e era ali que eu mais gostava de ficar. Cheiro de tangerina, de terra molhada, de leite com bolacha, de chá de hortelã. As cores eram lindas, lindas. Os cheiros muito agradáveis. O mundo estava ali pra mim, como sempre estivera. Mas o terceiro olho só fora aberto no meu aniversário. Um presente. Um dos melhores presentes.
Entender como cada peça realmente tinha o seu lugar, que tudo era apenas questão de tempo. Ver que o essencial é respirar, fechar os olhos, sentir o calor e deixar que ele guie. Nesse dia tive as melhores surpresas, as melhores sensações, os melhores abraços. Amei o mundo. Toda a tristeza fora expurgada ao abrir o terceiro olho. Poderia voar se quisesse. Eu poderia estar voando e nem perceberia. Estava leve, sem preocupações, sem pensamentos. Eu apenas sentia. Apenas amava.
Sendo algo totalmente desprovido de físico. Não era meu corpo que amava e sim meu espírito. Deixei que pelo menos naquele dia ele me guiasse. Respirar era a única coisa que eu tentava lembrar de fazer. Respirar era algo muito bom. Sentir o ar entrando, preenchendo tudo, clareando pensamentos.
A mesma sensação por mais de oito horas seguidas. O efeito nas luzes, a energia das pessoas, das flores, arbustos, trepadeiras-elefante, os sons. Tudo era novo. Por muitas vezes cheguei a pensar que aquele corpo não era meu. Que meu espírito poderia muito bem viver livre.
Nos dias seguintes tive de voltar aos poucos para meu corpo e até ele estava mais leve, mais puro. Ao abrir o terceiro olho ele havia sido purificado. Era tão cansativo voltar. Era cansativo aquela rotina. Mas sentir a vida pulsar não existia nada que pudesse comparar.
Essa paz que me preenche e protege. Esse tipo de paz você só tem quando se entrega. E essa paz emana de mim para quem esteja por perto.
Por todo esse ano eu buscava ânimo, quando só precisava dessa paz. Depois disso o caminho parece mais fácil, os amigos passam mais tempo presentes. Nossos caminhos permanecem lado a lado, encruzilhados, enrolados, embolados e pouco me importo com isso.
Eu só respiro, mas não respiro só.



Informações adicionais: o título desse post refere-se ao livro homônimo de Aldous Huxley, clique aqui para mais informações. Leia e assista ao filme. Merci

07 outubro 2012

[crônica] Azia

O despertador do vizinho era tão bom que eu podia ouvi-lo mesmo havendo uma distância de mais ou menos 8 metros e 3 paredes no meio. Ele tocava exatamente às 5:05 da ma-nhã. Nun-ca descobri o que meu vizinho fazia a essa hora, estava ocupado de-ma-is imaginando di-ver-sos modos de invadir a casa dele e dar um sumiço no maldito despertador.
Na-da mais restava além de levantar e fazer meu café.
For-te, a-mar-go.
Pouca gente gostava do meu café. Pouca gente gostava de mim. Procurava não me importar. Mas no fundo é cla-ro que me importava. E estou aqui, escrevendo e imaginando que minha voz seja igual a do Wagner Moura. Sabe quando ele narra os pensamentos em algum filme e faz a-que-las pausas na leitura? Pois é, estou escrevendo e len-do assim. A voz do Wagner Moura e a aparência dele. Por que não? Então me faz o favor de ler com a voz do Wagner Moura na sua cabeça. Talvez melhore a qualidade dessa crônica.
Pensei aqui em infinitas profissões que poderiam fazer você ter pe-na de mim, mas não consegui escolher uma. Então digamos que eu passe a manhã numa mesa, vários papéis em cima e um chefe barrigudo que solta piadas escrotas e paga meu salário atrasado. Imagine tu-do isso em câmera lenta.
A mesa velha, papéis caindo ao chão, mos-cas na careca do meu chefe, o botão de-sa-bo-to-a-do jus-ta-men-te no umbigo dele, o ven-ti-la-dor de teto que quase não gira e o sol fer-ven-do lá fora.
Agora volte a realidade comigo, há uma velha cafeteira na sala. Meu único conforto ali.
O café não é forte e nem amargo. Não tenho grana pra manter café forte e amargo em dois lugares.
Da janela dá pra ouvir o trânsito caótico lá fora. Há um pano velho na janela e isso me faz lembrar Bernardo Soares. Pouca gente sabe quem é Bernardo Soares. Pouca gente sabe quem sou.
A hora do almoço não tem na-da de sa-gra-da na minha vida. Se eu tiver grana pra coxinha já vai ser algo maravilhoso.
Vez ou outra encontro algum amigo. Eu pago o café, ele os cigarros. Conversamos qualquer coisa pra encher a barriga de vento e logo o vento nos leva pra qualquer outro lugar. Pro-va-vel-men-te o segundo emprego. E tal-vez seja por isso o alto índice de desemprego em to-dos os lugares.
Há uma certa melhora. A cafeteira é mais moderna e só preciso me servir. O café es-tá sem-pre lá. 
For-te e doce.
Maria João diz: "De amargo já basta a vida, meu filho".
Du-as se-ma-nas de-po-is d. Maria João descobre que tem diabetes. O café continua forte, mas a-go-ra com Adocil. Perguntei a Maria José por que não usava Zero Cal (kal?) e ela respondeu que não gostava do Zé Wilker.
Eu tam-bém não gostava dele. Ah, A-que-les ó-cu-los coloridos durante as premiações do Oskar me irritavam ma-is que os comentários absurdos dele.
Prefiro Zé de Abreu, mas não sei dizer os motivos.
Todo mundo tem o seu Zé.
Só não desejo o Zé Pequeno pra nin-guém.
Minha cabeça a essas horas es-tá cheia de café, cálculos e ca-ra-mi-nho-las. Meu estômago distribui pon-ta-das e ao caminhar na rua imagino que a qual-quer ins-tan-te um filhotinho meigo de Alien vá sair pela minha barriga.
Ao sair do trabalho, um copinho de café na mão e o notebook nas costas, vou pra casa. Dobro a esquina e sou assaltado, es-fa-qui-a-do 23 vezes porque o cara havia assistido esse filme idiota e faltado todas as aulas de matemática do en-si-no fun-da-men-tal.
O café vaza pelo meu corpo. A população inteira da cidade chega até mim, menos o SAMU.
Men-ti-ra.
Na-da disso aconteceu.
Queria apenas deixar essa crítica ao SAMU, pois vale o mesmo que a Madonna condenar algo relacionado as Pussy Riot.
Começo a achar que Elton John tem razão sobre o que anda falando sobre ela.
A crônica termina por aqui. O cachê para a voz do Wagner Moura na cabeça não permite mais carácteres.
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Olá, olá.
O Good Times está de volta, mas ainda estamos de mudança. Eu e Nathy  temos ótimos planos e posts e zaz! Então paciência, gafanhotos!

15 agosto 2012

Our time para se renovar.


A nota de reforma do blog chegou (com quatro meses de atraso mas chegou).
A boa notícia é que estamos trabalhando pra limpar as teias de aranha daqui o mais rápido possível.

Em breve novidades.