Era pra te dizer ontem, mas acabei esquecendo. O barulho do jogo atrapalhou e o Oskar não parava de falar da nova série que será sobre os contos do Edgar A. Poe. Fora todo o papo sobre visitar cadeia pública e as classificações que os gays dão às lésbicas. Mas isso não vem ao caso, o que importa é que Tom, Elis, Caetano, Vinicius, Adriana, Roberto, Ivete e até o Chico que não sabe cantar direito deixaram esse recado aí em cima.
Todos bêbados recortando revista pra fazer esse recadinho pra você. Sinceramente, acho mais prático te mandar sms, rabiscar um guardanapo, enviar um email, publicar no seu facebook, ou uma mention no twitter. Mas eles não, queriam recortar papel.
A verdade é que eu estava junto com eles. A idéia foi minha. Você sabe que tenho vergonha de admitir essas coisas.
Mas quando te vi ontem, com aquele sorriso que aquece a alma e dá uma calma que só é completa quando te abraço.
Que bom que você voltou, cachinhos. Bora tomar uma cerveja e ver o pôr-do-sol?
02 maio 2013
26 abril 2013
no alarms
Te chamei pra um café mês passado.
Tu não pode ir.
Te chamei pra uma cerveja essa semana.
Tu tinhas compromisso.
Te chamei pra qualquer-coisa-um-filme-um-papo-um-giro-por-aí.
"Vou viajar amanhã", tu disseste. "Quero ir de avião, olhar as nuvens. Nos vemos depois?"
Eu disse sim.
Comprei todas as vagas do avião, pro destino que você queria ir, pra ver se assim nós nos esbarrávamos por aí.
Tu foste de trem.
15 abril 2013
"Não há limites, Fernão?"
Fernão Teresa Gaivota por Nathy
Li sobre A história de Fernão Capelo Gaivota durante o ensino médio. Tempo esse em que eu vivia na biblioteca. Bom, eu ainda vivo na biblioteca. (mas intercalo em mesas de bar).
Hoje reencontrei o livrinho enquanto olhava a estante de livros de um professor-amigo, ou amigo-professor. Li durante o horário de almoço, meio que relembrando as falas, meio que tentando encaixar minha vida na de Fernão Capelo Gaivota. É uma leitura rápida e com fotos lindas de gaivotas. (se não lestes, faz o favor de ir atrás).
Mas não precisa ser necessariamente uma leitura rápida. Pelo menos não da primeira vez.
Fernão Capelo Gaivota divide-se em três partes, já a minha vida divide-se em tantas. Não sei quem disse que Fernão é "um hino à liberdade". Mas está lá na capa do livro, junto com outras frases que se não fossem as fotografias de Russel Munson, eu jamais teria lido o livro. (mentira, se alguém de confiança indicasse, eu teria lido sim).E é basicamente sobre isso. Sobre a liberdade. Dá pra criar muitos debates acerca da liberdade, mas o ponto essencial aqui é:
" - Por que será - interrogou-se Fernão - que a coisa mais difícil do mundo é convencer um pássaro de que é livre e de que pode prová-lo a si próprio se se dedicar a treinar um pouco? Por que será tão difícil?"
Eu me pergunto isso quase todos os dias.
01 abril 2013
Nota mental
Parte I: Angela
(2:51 da madrugada de domingo)
Deu pause no filme, assistia La Science des Rêves, de Michel Gondry, pensou "Angela vai adorar esse filme", e escreveu com caneta azul na palma da mão: filme Angela. E viu ao restante do filme.
Parte II: Marianne
(3:03 da mesma madrugada de domingo)
"Preciso anotar tudo o que tenho que fazer amanhã" não tinha papel, anotou na coxa esquerda, um pouco acima do joelho, com um marca-texto pink: ligar Marianne. Pensou um pouco mais nos outros afazeres. "Amanhã organizo o resto, isso basta." E dormiu minutos depois.
27 janeiro 2013
Cloud Atlas
"- eu tive um sonho. Foi a noite em que o conheci.
No sonho, havia o nosso mundo, e o mundo era escuro...
Porque não havia pintarroxos e os pintarroxos representavam o amor.
E por muito tempo, só havia a escuridão.
De repente, milhares de pintarroxos foram soltos,
e vieram voando, trazendo uma brilhante luz de amor...
Seria a única coisa que faria alguma diferença. E fez."
Blue Velvet, 1986
Meu corpo resolveu desacelerar. A vida, o que ela representa hoje, não pede tanta correria. Sei que vou contra a maré. - E logo eu que não sei nadar-.
Tão cedo nos ensinam que a vida é uma competição. "Que o mais fraco é alimento do mais forte." Que conhecimento é tudo. É poder. E somente o poder traz conforto.
E se nossa educação fosse feita de um jeito diferente?
Algo onde a Igualdade fosse levada como um princípio, base, terra firme.
Conhecimento não é tudo, poder não é tudo e o conforto há de vir primeiro de dentro. Pois não há coisa melhor quando sentimos que dentro de nós está tudo tranquilo. Não exatamente em ordem, mas calmo. Aquele velho conceito de paz que tanto andamos atrás.
E ao sentir isso, nosso corpo reflete de tal modo a atrair outras pessoas.
...
Sendo cada um de nós, fraco e forte, feito ondas. Nunca uma coisa só. Pois nunca fomos um só.
Estamos interligados. Somos apenas energia. Pontinhos de luz, um atraindo ao outro. É uma energia tão forte e há tanto tempo esquecida que para descrevê-la, posso dizer ser uma mistura de amor com gratidão. Algo tão forte e tão bom não deveria ser deixado de lado.
_____________________________________________________________________
Esse texto terá uma continuação, mas primeiro suas bases precisam ser fortalecidas.
Gracias pela atenção,
Ágda.
15 janeiro 2013
Salve o puto!
Uma andorinha só.
E nenhuma das duas
consegue fazer verão.
E muitos verão
Que fora dos livros.
É que habita o saber
De boa qualidade.
E de verdade
ninguem consegue viver
E de mentira
não dá pra ensinar.
Somente graças aos livros
podemos atravessar o mar
sem precisar pagar
Aquele puto que não há.
06 janeiro 2013
tout va bien
Jack,
quebre as economias do porco e bota a mochila nas costas. É isso, irmão.
Esse ano tá sendo uma loucura, cheio de lágrimas, de bolsos vazios, de amigos distantes, de línguas diferentes, de longas caminhadas sozinho. Mas eu experimentei uma cerveja belga na Bélgica, cara (comprei uma pra você, mas... enfim, te conto pessoalmente), e fui naquele café francês, do filme francês que você adora, aquele com a personagem do cabelo curto, não me lembro o nome agora.
Passei um bocado de frio também, Jack, mas eu digo um frio-não-físico. Digo o frio de enfrentar um monte de coisas pela primeira vez, e na droga da companhia de mim mesmo.
Mas deu certo, isso eu te digo, deu certo.
Molhei o último postal que ia te mandar, e, pasme, essa carta é a maneira mais fácil pra mim de me comunicar, vendi o celular (depois me lembre de te contar dessa história também!).
Meu trem sai daqui a 10 minutos e eu tenho que me despedir agora. Ouvi falar que esse trem passa ao lado de uma estradazinha, no meio dessas florestas que a gente só vê em filme, acho que vai ser uma viagem bonita, vou tirar umas fotos pra você.
Me espera daqui a um mês, naquela esquina que tem o boteco do seu João, certo? Devo chegar no final da tarde. Vamos ver o pôr do sol.
Sal.
"Continuei, como fiz toda a minha vida, quando as pessoas se interessam por mim.
As únicas pessoas que se interessam por mim são os loucos.
Os que têm loucura de viver, a loucura de falar. Os que desejam tudo a um só tempo.
Quem jamais é tedioso, nem diz trivialidades.
Mas que arde,
arde,
arde
como velas romanas pelas noites."
(On the Road)
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